domingo, 30 de agosto de 2015

Sweet Curse com Harry Styles - Capítulo 5


  Quando cheguei ao carro a chuva começou a cair, e em pouco tempo caiu intensamente e pelo noticiário o tempo só pioraria, o céu estava mesclado de nuvens carregadas, cinquenta tons mesclavam-se entre si.. Mas isso não importava, não agora. Antes de pensar em mais coisas, eu precisava esvaziar minha mente e entender o que estava acontecendo comigo, e com as pessoas ao meu redor. Eu não poderia voltar para a escola, lá era enlouquecedor, eu não poderia ir a minha casa por estar vazia e muito menos para a casa de Blair, pois tia Serena certamente estava lá, então eu comecei a dirigir sem um destino aparente..
  Um relâmpago cruzou o céu, iluminando-o e a chuva ficou ainda mais forte. Respirei fundo e encostei a cabeça no banco, fechando os olhos e tentando desligar-me dessas preocupações, liguei o rádio, mas todas as estações haviam sido reduzidas apenas a estática. Mas apesar disso, juro ter ouvido alguma coisa, poderia ser considerado maluquice, mas eu podia jurar que era a mesma música que Harry Styles tocava mais cedo.. A música que me enlouquecia, que entrava em minha mente fazendo o sonho voltar e que corria pela minha pele...
  Dei a partida no carro, liguei o farol e os para-brisas, eu não era acostumada a dirigir, e ainda mais com chuva, estava com o coração batendo mais forte e com medo de que algo acontecesse, por eu estar matando aula e não ser experiente.. Eu não conseguia enxergar nada nessa tempestade. O carro passou por um determinado ponto e a estrada ficou mais escorregadia, senti que o carro deslizaria a qualquer momento, então pisei forte no freio e o carro girou por causa da pista escorregadia, girou na escuridão.. E por um segundo, enquanto ele girava freneticamente, pensei ter visto um par de olhos verdes me olhando.. Tinha alguém na rua.
  Ainda com o carro girando, nem mesmo deu tempo de eu me preocupar com a pessoa que estava na rua, só consegui segurar o volante com toda a minha força, e meu corpo foi lançado contra a lateral do carro, com uma força sobrenatural, fazendo-me soltar um gemido de dor ao bater com as costelas na lataria pesada do carro. Com o giro acelerado do carro, pude ver uma mão estava esticada na frente do mesmo. Fechei meus olhos com força, tentando afastar a onda de pânico que invadia meu corpo, nunca pensei que tudo acabaria assim, muito menos que eu estava prestes a atropelar alguém, Isso fez meu corpo gelar-se por inteiro, um calafrio percorrendo cada milímetro da minha pele e eu só esperei pelo impacto..
  
  Impacto que nunca aconteceu.
  O carro parou de girar de repente, abri os olhos devagar, meio atordoada e ainda esperando o impacto, sai do carro, o qual havia parado a menos de cinquenta centímetros da mão da pessoa. Não era um senhor de idade, mas sim um garoto, dava para perceber pelo modo como ele se vestia e o jeito que se portava debaixo da tempestade, estado coberto apenas por uma capa de chuva de plástico vagabunda.. Ele puxou o capuz lentamente quando estávamos frente a frente, deixando a chuva entrar em contato com o seu rosto.
  Olhos verdes e cabelos castanhos...
  Harry Styles. Nesse instante uma onda de compreensão me invadiu, juntamente com a estranha sensação que sempre me perseguia nos sonhos.
  Juro que neste momento eu quase me esqueci de como respirar, como se algo muito pesado estivesse em cima de meus pulmões impossibilitando a respiração normal. Harry me encarou, tentei deixar de lado o que sentia e sustentei seu olhar, percebendo que seus olhos verdes estavam diferentes de quaisquer olhos que já vi. Estavam em um tom de verde brilhante, como um relâmpago na tempestade..
  E de pé, na tempestade, daquele jeito, ele não parecia humano..
  Ficamos olhando diretamente um nos olhos do outro por algum tempo, poderiam ter se passado segundos ou apenas minutos, mas pareceram uma eternidade para mim. A chuva caia sobre nós, e nenhum de nós teve a coragem necessária para falar algo. Eu estava tensa, talvez por estar tão perto de mim, como nunca ficamos, talvez por eu estar apreensiva com tudo ou talvez por ainda esperar pelo impacto..
  Dei um passo em direção a ele, não sei o porque desse ato, mas senti que era necessário e mesmo ainda estando razoavelmente longe, pude sentir seu perfume, doce e amadeirado, imediatamente meu sonho voltou. Fechei os olhos com força, e ali na chuva, deixei que o sonho se fizesse mais uma vez presente em minha mente, só que dessa vez, quando ele escorrega por entre meus dedos, por eu não conseguir segurá-lo, eu posso ver seu rosto.
  Olhos verdes.  
  Cabelos castanhos.
  Era ele, só poderia ser ele..
  
  Ele estava parado na minha frente, nos entreolhamos e por um segundo senti um calor percorrer meu pulso, no ponto que a poucos minutos atrás estavam as marcas em argila de duas mãos segurando-me. Não sei de onde veio a coragem insana, mas eu dei um passo em frente e segurei o pulso dele, virando-o para cima, e mesmo com a constante chuva caindo sobre nós davam para perceber alguns arranhões rosados, o que sinalizavam que eram recentes, meu coração parou por segundos, por mais incrível que pareça, eu havia provocado aquelas marcas com as minhas unhas no momento em que tentei segurá-lo.
  Quando toquei nele, e continuei segurando o pulso dele por estar sem reação, um relâmpago pareceu rasgar o céu e um arrepio percorreu-me..
  - Você é maluca? - A voz dele saiu extremamente grave e em um tom repreensivo. - Você estava tentando me matar? - Ele puxou o pulso que eu ainda segurava fazendo mais alguns arranhões surgirem em sua pele branca e dando as costas, se afastou de mim.
  - É você.. - Falei baixinho e acho que ele nem mesmo ouviu. - Você é real... - Eu balbuciei, um pouco mais alto, estava em choque. Naquele momento sentia um turbilhão de sensações tomar conta de mim, e não foi a curiosidade a sensação mais intensa, mas sim, o medo. Medo de sempre me forçar a acreditar que ele era apenas fruto da minha imaginação, para que eu não me machucasse mais tarde, porém, contra todas as possibilidades, ele está aqui, ele existe, ele é real. Meu coração começou a bater fora do compasso por cogitar a possibilidade de algo com ele, e o sentimento que eu procurava esconder, a paixão, estava começando a aflorar dentro de mim..
  - Quase um cadáver, graças a você, sua maluca. - A voz dele saiu fria e sem expressão, despertando-me dessa minha briga interna de sentimentos contrapostos. Ele se virou e me olhou, os olhos verdes faiscando.
  - Não sou maluca. - Rebati e tentei acreditar fielmente em minhas próprias palavras. - Achava que fosse, mas não sou. É você! - Falei frisando bem. - E você está aqui, bem na minha frente. - Não consegui conter um sorriso.
  - Não por muito tempo. - Ele me deu as costas novamente e deu alguns passos aumentando ainda mais a distância entre nós. Corri até ele.
  - Foi você quem apareceu do nada e foi para o meio da rua.. - Falei rapidamente tentando me defender das acusações dele e de algum jeito tentar prolongar ao máximo essa conversa. Olhei para um dos lados da rua e percebi que o carro do tio, ou seja lá o que o Simon for dele, estava parado ali, com o capô aberto e quebrado por sinal. A chuva continuava caindo sobre nós e eu sentia minhas roupas pesarem de tão encharcadas, caminhei até onde ele estava, parando ao seu lado e sentindo um calor tomar conta do meu corpo quando nossas mãos quase se encostaram.
  - Olha... - Ele respirou fundo, como se medisse o efeito que suas palavras teriam sobre mim. - Eu só estava procurando alguém que me ajudasse, o carro quebrou.. - Ele apontou para o carro, que estava do outro lado da rua, mas evitou me olhar diretamente. - Você podia muito bem ter passado reto, assim não corria o risco de quase me matar..
  Ficamos um tempo no mais completo silêncio, eu não sabia o que falar e ele provavelmente não queria conversar comigo. Então, de repente, ele se virou e me olhou fixamente.
  - É você.. - Balbuciei. - Nos sonhos repetitivos, a música enlouquecedora que rasteja pela minha pele, o sentimento que erradia do seu corpo ou a sensação de corrente elétrica passando pelo meu corpo quando nos tocamos.. - Falei, e minha voz saiu apenas como um sussurro.
  - O que? - Ele falou com a voz brincalhona. - Você está bêbada por acaso? - Ele riu, irônico.
  
  - Sei que é você. - Falei seriamente e o sorriso nos lábios dele se desfez na hora, ele encarou o chão, confuso. Antes, ainda tinha uma leve sombra de dúvida sobre tudo, bem que eu poderia estar mesmo louca, mas nesse momento, eu soube que estava certa em relação a ele. Só olhando-o eu conseguia ver meu sonho claramente, conseguia achar uma face ao misterioso menino, conseguia parar de pensar em idealizações e começar a analisar algo concreto.. Mas, pelo jeito que ele agia, será que ele não sabia?
  De repente ele deu de ombros e começou a andar novamente, por alguns segundos quis me matar por ser tão ingênua a ponto de contar para ele dos sonhos, da música e por achar que era ele o misterioso garoto, fiquei envolta nisso e quando me dei conta, precisei apressar o passo e para o alcançar.
  - Da próxima vez, liga para a emergência.. - Falei meio ofegante quando finalmente consegui alcançá-lo.
  - Não vou ligar para ninguém.. - Ele falou com a voz cortante. - E quer saber? Meu celular morreu. - Ele falou ironicamente.
  A tempestade aumentou.
  - Porra! - Me exaltei fazendo-o me olhar diretamente. - Eu estou tentando conversar de boa com você, se você está agindo assim por eu quase te atropelar, me desculpe, não era intenção, mas tenta ser um pouca mais legal.. - Falei me arrependendo segundos depois por demonstrar que estava incomodada com essa barreira que ele estava criando entre nós, mas eu nem mesmo o conhecia direito para ficar incomodada com isso, o que estava acontecendo comigo? Respirei fundo. - Deixa eu te dar uma carona? A chuva está muito forte.. - Falei novamente me preocupando com ele, que querendo me dar uns tapas depois por tal preocupação.
  - Não, obrigada. - Ele respondeu com a voz seca e sem expressão.
  - Se você for esperar alguém, isso pode demorar horas.. - Falei decididamente sabendo que eram poucas as pessoas que passavam por aquele trecho da estrada.
  - Ótimo. - Ele respondeu. - Vou andando.
  - Okay, vou andando com você então.. - Falei por teimosia.. E me arrependi no segundo seguinte. Okay. Eu. Estava. Ultrapassando. Limites. Primeiro havia contado sobre os sonhos que me atormentavam e a música que me enlouquecia, em seguida ofereci carona e me importei com ele, e agora, estava disposta a andar com ele até a mansão onde ele vivia com o velho Simon, por teimosia por ele dispensar minha carona.
  - Não.. - Ele fechou os olhos e ergueu a cabeça deixando a chuva molhá-lo ainda mais. - Eu aceito uma carona então. - Ele suspirou. - Deve ser mais seguro com você em um carro do que com você na rua.. - Sorri com a piada.
  Entramos no carro, e o encharcamos. Ah.. Blair me mataria por isso.
  Os sons da chuva e do meu coração entravam em contraste enquanto eu dirigia o carro pela estrada deserta, a qual ainda estava um pouco escorregadia fazendo o carro andar com uma estranha leveza. Ele estava no banco do passageiro e mesmo sendo muito irritante e decididamente mal-agradecido comigo, ele era bonito. Bonito de um jeito novo e diferente, pois não se parecia com ninguém que que conhecia, mas sem explicação, havia prendido minha atenção desde a primeira vez que eu o vi, não tinha como negar.. Seus olhos verdes eram enormes, brilhantes e pareciam ter a capacidade de esconder até mesmo os piores segredos e as mais tristes histórias, sua pele era clara, como se ele não tomasse sol há décadas e parecia ficar ainda mais clara em contraste com os cabelos castanhos volumosos..
  Ele tirou a capa de chuva pela cabeça, dobrando-a e colocando-a perto de seus pés e não pude evitar de olhá-lo, suas roupas estavam coladas em seu corpo, como se ele tivesse acabado de cair em uma piscina.. Um arrepio percorreu meu corpo ao vê-lo daquela maneira. A camiseta devia ser um número menor, pois estava bem colada ao seu corpo, deixando alguns de seus músculos mais salientes, e sua calça jeans por estar encharcada pela chuva, deveria estar pesada, fazendo-me concentrar o olhar por alguns segundos a mais do que o necessário no volume que a calça delineava..
  Não trocamos nenhuma palavra durante o percurso inteiro, o som da tempestade era o único que impossibilitava o silêncio ser absoluto. Liguei o aquecedor, pois estava começando a ter tremores devido ao frio..
  Passamos por todas as casas da cidade, e subi em direção ao morro que leva até a propriedade de Cowell, a casa mal-assombrada, como Blair costumava brincar, eu sempre ria, mas agora, naquele momento já não era mais tão engraçado assim..
  Meus pensamentos constantemente voltavam ao sonho, mas como eu poderia sonhar com um parente de Simon Cowell? Primeiramente, eu nunca havia visto o recluso pessoalmente, apenas uma foto ou outra no jornal ou notícias que corriam a cidade toda e era impossível você não ouvi-las. E eu nunca havia visto o sobrinho dele anteriormente, nunca nem sequer sabia de sua existência, o que me fazia cogitar novamente a possibilidade de eu estar ficando louca.
  Olhei para Harry, ele encava as mãos como se fosse a coisa mais interessante do mundo, mas pelo seu olhar, presumi que ele estava desconfortável, e de certo modo, um pouco triste.. Nesse momento senti um aperto invadir meu peito, era triste vê-lo naquela situação.
  - Por que você veio para essa cidade? - Perguntei sem conseguir me conter e acabei quebrando o silêncio constrangedor. - As pessoas querem ir embora daqui. - Comentei olhando o horizonte ser banhado pela chuva.
  - Morei em vários lugares.. - Ele pareceu se perder em lembranças e demorou alguns minutos para voltar a me responder. - Londres. Barbados. Paris. Madri. Dubai.. - Ele me encarou e desviei a atenção por instantes para concentrar-me em seu olhar. Seus olhos pareciam apresentar algo diferente, não havia mais lampejos de fúria ou caos, eles estavam apenas calmos.
  Eu daria de tudo para morar em qualquer um desses lugares...
  - E seus pais? - Perguntei, ao estacionar o carro na frente do grande portão que dava acesso a propriedade Cowell.
  - Morreram. - Ele respondeu rapidamente com a voz inexpressiva. Burra.. Por que você perguntou aquilo? Estava me martirizando por dentro, era uma crueldade perguntar aquilo, eu não devia ter tocado naquele assunto.
  - Desculpa, eu não queria.. - Tentei concertar a situação, pois estava mal por ter perguntado aquilo e ainda pior por fazê-lo lembrar de algo assim, deve ter sido muito doloroso, porém não consegui terminar aquela frase.
  - Tudo bem.. - Ele falou e sorriu em seguida. - Faz tempo e eu nem me lembro muito bem deles.. - O sorriso desapareceu de seu rosto e por um tempo ele ficou em silêncio, deveria estar sendo invadido por mais uma onda de lembranças. - Por isso morei em vários lugares, com vários parentes.. Dessa vez, é meu tio-avô.
  A tempestade havia diminuído razoavelmente. Ele saiu do carro e apenas me olhou pelo vidro, sentir seu olhar em mim fez as borboletas aflorarem em minha barriga, causando-me um estranho frio na barriga.
  Nos encaramos por longos segundos através do vidro, sem que alguém tivesse a coragem de tomar a iniciativa de falar. Depois que eu voltasse para casa, fingiríamos que essa conversa nunca existiu? Ou não?
  - Obrigada. - Ele sussurrou, não consegui ouvir sua voz, apenas li seus lábios.
  - De nada. - Respondi e um sorriso nasceu nos lábios dele.
  
  Depois ele virou as costas para mim e entrou pelos portões na grande propriedade de seu tio-avô..
  Voltei para casa calmamente, tomei um banho quente pois estava muito molhada por causa da chuva ainda e em seguida me joguei na cama. A chuva havia diminuído, mas ainda banhava a cidade, o céu estava escuro e já parecia ser de noite, eu estava extremamente cansada, como se tivesse vivido um dia inteiro em apenas algumas horas. A Blair não havia chego e eu também não havia visto minha tia por aqui, meus olhos começaram a se fecharem lentamente, segurei o travesseiro contra meu corpo bem apertado e me cobri, porque estava começando a ter calafrios.
  O que será que eu vou sonhar?

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#Mary (@letharrygo_)

Avisinho

  Oie meus amores, só queria agradecer pelas 340.000 visualizações do blog, é muito importante pra mim! E também queria me desculpar por ter parado de postar, mas é que os comentários estavam escassos então comecei a me dedicar mais as outras atividades, me desculpem por isso.. E se der, eu continuo a postar.
  Obrigada por tudo, um beijão!
  #Mary

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sweet Curse com Harry Styles - Capítulo 4


  Minutos depois o sinal tocou, me dirigi junto com Blair para a sala de aula, mas parei na porta da sala para esperá-la voltar ao armário dela e pegar o livro de inglês pois ela havia se esquecido, confundindo com o horário do ano passado e inglês esse ano era a primeira aula. Encostei no batente para as pessoas poderem passar ao meu lado e aproveitei para olhá-lo mais de perto, lá estava o garoto novo.. Harry Styles. Ele estava conversando com James, o professor de inglês, e sorria disfarçadamente. Eu apenas observava-o, estava analisando-o e sem me dar conta, minha mente já estava gravando seus pequenos detalhes. O modo que ele disfarçava o sorriso, o jeito que uma covinha aparecia em sua bochecha, o brilho em seu olhar quando o assunto era de seu interesse, o modo como seus ombros estavam relaxados e como a roupa caía perfeitamente sobre seus corpo.. Estava imersa em pensamentos até que ele olhou para frente, bem na minha direção e me pegou olhando-o. Olhei para os lados tentando disfarçar que o olhava mas em uma tentativa frustrada pois era tarde demais.. tentei não sorrir, mas fiquei sem graça por ele ter me pego naquela situação e sorri ainda mais...
  
  Mas ele desviou o olhar de mim rapidamente, sem nem mesmo olhar diretamente em meus olhos, sem nem mesmo perceber o quão patética eu estava por estar parada ali o olhando com um sorriso bobo tomando conta do meu rosto.
  Blair chagou ofegante por ter corrido até seu armário com medo de se atrasar e o professor não deixar mais ela entrar, ela passou por mim e quando fui segui-la senti alguém me empurrando, virei para trás e dei de cara com o Austin, ele abriu seu sorriso debochado e passou por mim, me olhando como se esperasse que eu o seguisse até o final da sala. Eu estava acompanhando-o, mas ao mesmo tempo, o garoto novo sentou-se em um lugar vazio, na primeira fileira ao lado da parede, bem a frente da mesa do professor..
  Austin estava passando ao lado de Harry e para fazer gracinha, chutou a mochila do garoto novo, fazendo-a abrir e espalhando os livros e cadernos.. Não sei descrever a razão, mas nesse momento senti uma raiva anormal do Austin, como se meu ódio por ele aumentasse a cada segundo, a cada mínima ação dele.
  - Ops. - Austin falou cinicamente, abaixando-se como se fosse ajudar o garoto novo a recolher as coisas que haviam se espalhado, mas em vez disso ele pegou um dos cadernos que haviam caído e começou a folheá-lo. - Harry Styles, é esse seu nome, não é? - Ele praticamente cuspiu essas palavras.
  Harry estava sentado na primeira carteira e encarava suas coisas pelo chão da sala.
  - Pode me devolver meu caderno!? - Ele ergueu a cabeça, olhando para cima lentamente e fazendo o verde de seus olhos refletirem.
  - Você é escritor? - Austin fingiu não ouvi-lo e continuou a folhear o caderno parando em uma página toda escrita. - Isso é tão legal! - Austin falou em um tom irônico, usar a ironia era bem a cara dele.
  - Por favor.. - Harry implorou, e Austin esticou um pouco a mão fazendo com que Harry esticasse a dele também para pegar o caderno, mas Austin havia apenas tirado uma com a cara do novato, ele não tinha a verdadeira intenção de devolvê-lo, fechou o caderno e deu um passo para trás.
  - Vou pegar emprestado por algum tempo, depois devolvo. - Austin falou soltando um sorriso cínico. - Não tem nenhum problema, certo? - Seu sorriso se alargou.
  - Me devolve agora! Por favor.. - Harry empurrou a mesa para frente e ficou em pé, ele olhou fixamente nos olhos de ressaca de Austin, sua mandíbula estava tensionada, provavelmente para que ele segurasse palavras que poderiam acarretar certas desastrosas consequências se fossem ditas, e suas mãos estavam fechadas e juntas ao seu corpo, como se ele estivesse tentando se controlar para não explodir.
  Minha mente girava e a única coisa que eu conseguia pensar com clareza era que precisava fazer alguma coisa pois ficar parado olhando-os não ajudaria em nada.. Praticamente corri para onde os dois se encontravam e instintivamente fiquei no meio deles, fiquei virada encarando o Austin, cujo sorriso desapareceu ao perceber que me intrometi mais uma vez para defender alguém que nem mesmo conhecia e que todos condenavam. Desviei o olhar, sabendo que poderia ser pior se eu continuasse encarando-o, ergui minha mão e alcançando o caderno, peguei-o de sua mão, e em seguida entreguei ao Harry. Que sentou-se, recolheu os seus pertences espalhados e continuou olhando para um ponto fixo como se seus pensamentos estivessem o enlouquecendo ou como se ele quisesse agir como um invisível para fugir de algo.
  Logo depois me sentei ali mesmo na frente, ao lado do Harry e deixei Austin seguir para o final da sala, para encontrar seus clones e certamente falar de mim, da raiva crescente que ele sentia por eu estar o contrariando sempre. Antes de seguir para lá, ele me olhou, e vendo-me refletida em seus olhos, soube que estava marcada com ele.  Não sabia porque tinha feito aquilo, eu nem conhecia o garoto, e também odiava sentar na frente, mas ali estava eu... O sinal tocou fazendo Austin desviar o olhar e seguir seu caminho sem nem mesmo olhar para trás.
  A aula de inglês começou, mas não consegui prestar muita atenção nela, meu caderno ficou em branco mesmo com a lousa cheia de matéria. Estava novamente em como se fosse uma outra realidade, minha mente estava cheia e eu estava completamente diferente, sempre fui certinha e mesmo não concordando com o Austin, eu o obedecia, mas agora de repente, não consigo mais esse feito. É como se algo liberasse adrenalina em minhas veias e me fizesse adquirir uma coragem que eu não acreditava possuir, e então eu falava e agia liberando tudo o que sempre aprendia a guardar pra mim.
  O tempo passou consideravelmente rápido.. Não o percebi passar porque estava tão envolta em meus próprios pensamentos que apenas me dei conta que a aula havia chego ao fim com o toque estridente do sinal. Virei-me na direção Harry, pela primeira vez depois de todo o ocorrido no início da aula, eu não tinha nada para falar, mas algo dentro de mim esperava pelo menos que ele me agradecesse..

  ...

  Harry Styles não chegou a falar comigo aquele dia, nem um mísero agradecimento por tudo, e não trocamos nem mesmo uma simples palavra aquela semana..
  Mas isso não me impediu de pensar nele, nem de vê-lo. Não era o fato dele não falar comigo o que mais me incomodava nele. Não era sua aparência, porque sem mentir, ele era bonito, bonito até demais para a minha sanidade mental continuar intacta e manter distância de certos pensamentos impróprios que não seriam adequados. Nem as coisas que ele falava sem medo nas aulas, que a cada instante me fazia enxergá-lo de uma maneira nova, que me inspirasse a ser alguém melhor do que eu era, pois eram coisas que ninguém mais teria coragem de dizer. Nem o fato dele ser diferente, porque isso era meio óbvio e estava implícito em todas as características que citei anteriormente, seu jeito, sua aparência, suas opiniões.. O que me incomodava nele, não era o fato dele ser ele, era o fato de eu perceber como sou igual a todos, mesmo tentando ser diferente...
  Algumas aulas passaram sem surpresas, agora eu tinha aula de cerâmica. Caminhei até a sala de artes, entrei na sala e Amy sentou-se ao meu lado. E como era a primeira aula, seria apenas uma experimentação pois nunca havíamos tido essa matéria anteriormente e não ganharíamos nota por isso, a professora queria apenas que sentíssemos a argila, que liberássemos a mente de todos os pensamentos, que nos sentíssemos livres de todos os problemas e preocupações pelo menos por míseros instantes.
  Liguei o torno de oleiro, sentei-me com postura, mantendo a coluna reta na cadeira, coloquei minha mão na argila e comecei a observá-la. Era impossível eu me desligar dos meus pensamentos, sempre que minha mente ficava razoavelmente "vazia" a lembrança do sonho e o misterioso vinham me atormentar. Suspirei tentando afastar tais pensamentos, que coisa mais chata!
  A sala de música era no andar de baixo, bem ali em baixo, e a banda que tocava anteriormente um som marcado e repetitivo, com arranjos constantes da guitarra e do baixo, deu lugar a um violino e os sons pesados deram uma amenizada, cada vez ficando mais silenciosos, então a atmosfera pareceu ficar em um silêncio mortal. Momentos depois, o silêncio se desfez, deu lugar a uma melodia baixa vinda de um violino, a melodia era bonita e triste ao mesmo tempo e começou a rastejar pela minha pele, arrepiando-me de leve. Foquei novamente meu olhar na argila, mas ela havia se transformado em uma mancha, fechei meus olhos com força, talvez fosse apenas meu cansaço mental que estivesse me fazendo ver coisas, abri os olhos novamente e então tudo ao meu redor começou a se dissolver, e a sala desapareceu lentamente..


...

  Eu estava caindo..
  Nós estávamos caindo..
  Eu estava de volta ao sonho, o chão havia desaparecido, juntamente com a sala a qual eu estava, dando lugar novamente a atmosfera pálida e estranha. O universo paralelo que sempre se fazia presente em meus sonhos, junto com a sensação de frio na barriga e a contraposição de sentimentos que aquela atmosfera me trazia.
  Vi a mão dele na imensidão, e tentei agarrá-la desesperadamente. Estiquei meus braços para frente, para a direção onde estava sua mão ao longe. Meu coração batia a mil por minuto, desejei ser elástica nesse instante, para poder segurá-lo, mas ele estava tão longe de mim, era impossível segurá-lo, mas dessa vez pelo menos, pude sentir o toque de seus dedos. Ele estava escorregando a cada instante eu podia sentir.
  - Não solte! - Sua voz ecoou na imensidão, fazendo meu coração parar por segundos. Tudo o que eu mais queria fazer era ajudá-lo, poder segurá-lo contra meu corpo e dizer que tudo ficará bem, queria fazer isso mais do que qualquer outra coisa. Mas então, como sempre, ele escorregou pelos meus dedos..

...

  - (S/n), o que você está fazendo? - A professora me perguntou, abri meus olhos devagar e encarei seu olhar repreensivo. Eu estava atônita, totalmente sem reação, era a primeira vez que eu sonhava acordada. Estava ofegante demais anteriormente, mas quando olhei na direção das minhas mãos, meu pulso e parte de minhas mãos continham a marca de outra mão, uma mão grande, mão de um garoto, na verdade, dele.. O garoto.
  Nessa hora o sinal tocou, voltei meu olhar para a janela, encarando o horizonte, as nuvens negras tomavam conta do céu alertando que a tempestade logo cairia..
  Me limpei, peguei minha bolsa e sai correndo da sala de artes, descendo as escadas correndo e indo direto para a sala de música onde a professora recolhia algumas partituras.
  - Com licença. - Entrei na sala ofegante e ela parou de recolher as partituras e me olhou. - Mas quem estava tocando aquela música.. aquela no violino? - Perguntei, tendo um pouco de medo da resposta dela.
  - Ah.. - Ela falou suspirando. - Eu não me recordo o nome dele, mas ele acabou de se mudar para a cidade.. - Ela sorriu fazendo com que eu entrasse em pânico. Não! Poderia ser qualquer outro aluno dessa escola, mas..  Mas não ele..
  Agradeci e novamente sai correndo da sala, antes que ela pudesse se lembrar e me dizer o nome em voz alta. Encontrei Blair me esperando na frente do vestiário, agora seria aula Educação Física, ela passou a mão pelos cabelos, ajeitando-os em um rabo de cavalo alinhado e me olhou incrédula em seguida, deve estar se perguntando o motivo de eu estar tão ofegante e sem palavras. Senti que deveria uma explicação, mas como explicar o inexplicável?
  - Blair.. - Falei hesitante. - Preciso da chave do carro. - Pedi rapidamente.
  - Pra quê, (S/n)? - Ela perguntou-me desconfiada, me olhando de cima a baixo antes de concentrar o olhar em meus olhos. Vendo-me refletida em seus olhos, senti uma vontade enorme de contar tudo a ela, e sentir seu abraço depois, mas eu não podia.
  - Tenho que fazer uma coisa. - Falei insegura. - Não pergunta mais nada, eu só tenho que ir.. - Naquele momento eu só precisava sair daquele lugar e ir em algum lugar onde eu pudesse pensar com clareza pois eu estava sonhando, ouvindo músicas, desmaiando, assim vamos dizer, e tudo isso, no meio do horário letivo.. O que estava acontecendo comigo? Eu não saberia responder aquela pergunta nesse momento, mas tenho certeza de que não era algo bom..
  Eu precisaria de ajuda para descobrir se aquilo seria ou não algo bom, mas não contaria a ninguém até eu estar preparada para contar e preparada para que a pessoa me achasse louca, ou seja, ainda não era o momento..
  Blair voltou-se para o seu armário no vestiário e vasculhou a bolsa dela, me estendendo a chave momentos depois.
  - Sua tia vai te matar. Seus pais vão te matar. A professora vai te matar.. Não seja burra, (S/n)! - Ela implorou, tentando fazer com que eu mudasse de ideia e voltasse a ser a boa garota que nunca faria nada errado, mas contrariando-a peguei a chave da mão dela. Ela fez uma careta, em seguida pude ouvir que sussurrou um "Boa sorte.."
  - Tarde demais.. - Falei.

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#Mary (@letharrygo_)

sábado, 9 de maio de 2015

Sweet Curse com Harry Styles - Capítulo 3


 Chegando na casa da Blair minha tia nos esperava. Ela era quem cuidava da gente enquanto os pais de Blair trabalhavam também, para que não fôssemos deixadas completamente sozinhas e também não precisássemos fazer tarefas domésticas como limpar a casa ou cozinhar, o que não daria muito certo devido a sempre chegarmos completamente acabadas da escola.
  Logo que nos viu, sua expressão mudou de calma para uma expressão assustadora. Essa era a mesma expressão que ela sempre usava ao me dar alguma bronca por algo de errado que eu havia feito, e geralmente era acompanhada por um longo sermão.. Todas as coisas de errado que eu já fiz na vida passaram como um filme na minha mente, e chegando ao dia de hoje acho que ela está brava porque nós tínhamos nos atrasados para a escola, justo no primeiro dia de aula..
  Ela nos deu uma bronca daquelas que você nunca esquece e ameaçou nos castigar se pensássemos em nos atrasar novamente.
  A mesa estava posta, deixamos nossas mochilas em algum cantinho e nos sentamos, minha tia sentou-se conosco, e apenas ficou nos observando comer, alegando que já havia comido antes da nossa chegada. O silêncio era constrangedor, juntamente com os olhos atentos dela observando e analisando cada movimento nosso.
  - Tia, você não sabe o que aconteceu hoje! - Falei um tanto constrangida por quebrar o silêncio, mas estava enlouquecendo com ele e precisava fazer algo. Após minha fala ela apenas me encarou nos olhos e continuou calada como se deixasse uma pequena brecha para que eu continuasse meu pensamento. - Entrou um garoto novo na nossa turma. - Sorri distraidamente..
  Seus olhos faíscam mas ela continua me encarando. Okay. Foi um tanto quanto constrangedor eu falar aquilo, principalmente por eu estar pensando nele mesmo depois de saber sobre o seu parentesco e ter me frustrado com a idealização de um garoto perfeito.
  - Acha que eu não sei sobre Harry Styles? - Ela me olhou com desdém e balançou levemente a cabeça em negação.
  Engasguei com a minha própria saliva. Harry Styles.. Um nome bonito, forte.. que com toda certeza ficaria guardado em algum cantinho na minha mente e passaria a me assombrar nos dias de insônia.
  - Então esse é o nome dele? Harry? - Blair perguntou soltando um mínimo sorriso, depois encarou minha tia, o sorriso desaparecendo ao ver a expressão fechada da mesma.
  - Sim, é.. Mas isso não é da sua conta, menina. - Tia Serena falou em um tom ríspido, fazendo Blair abaixar o olhar certamente envergonhada pela sua pergunta e ainda mais envergonhada por pensar nele e soltar o pequenino sorriso. - Vocês duas não deviam se meter nas coisas das quais não sabem nada. - Ela falou rapidamente, mas em minha mente se instalou a confusão. O que poderia haver de tão errado? Ele era apenas um garoto, e nós nem mesmo havíamos trocado algumas palavras com ele.. Essas vezes eu não consigo entender minha tia, ela é enigmática demais quando quer. - Agora comam.
  Nós a obedecemos, e ela continuou nos analisando, novamente em silêncio.
  - Tia.. - Eu precisava perguntar apenas mais uma coisa. - Você ouviu mais alguma coisa sobre o garoto? - Mordi o lábio fortemente sabendo que aquilo não era algo bom para perguntar, mas às vezes minha curiosidade é maior que o limite entre os meus instintos racionais e irracionais, tendo graves consequências depois.
  - Cuidado! - Ela sussurrou enquanto seus olhos castanho-escuros, que poderiam esconder todos os mistérios do universo sem que ninguém desconfiasse, me olhavam atentamente. - Um dia você fará um buraco no céu e o universo inteiro cairá por ele.. Aí, todos nós estaremos com sérios problemas. - Permaneci olhando fixamente em seus olhos, mas talvez ela tenha percebido que eu estava completamente confusa. Ela adorava me dar indiretas, e sempre tentei melhorar para que ela não me repreendesse novamente, mas dessa vez sinceramente não entendi.
  - O que a senhora ouviu, tia Serena? - Blair perguntou, mudando o assunto e fazendo a tensão instalada no ar se dissipar lentamente, juntamente com os meus próprios pensamentos acerca da indireta da Serena. A propósito, Blair trata todas as pessoas da minha família como sendo da família dela também.
  - Não é da sua conta, menina. - Ela respondeu a Blair que se calou, depois encarou nós duas, analisando-nos como sempre. - Aliás, por que vocês estão tão interessadas nesse garoto?
  Recolhemos os ombros, enquanto a pergunta ficou pairando no ar.. Dei mais uma garfada no macarrão de tia Serena, enquanto pensava em uma resposta razoável e olhei para Blair em busca de alguma ajuda, mas ela me olhou por segundos em seguida abaixou o olhar encarando seu prato vazio, dando a entender que era minha vez de responder.
  Respirei profundamente.
  - Não é nada tia, só estamos um pouco curiosas, porque nunca ninguém novo entrou na nossa sala, muito menos vem de algum lugar mais agitado, mais interessante, com mais vida e possibilidades para acabar por se mudar para uma cidade pequena como a nossa. - Respondi, e depois sorri para ela.
  Não sei se ela acreditou na minha resposta por ela não expressão nenhuma reação, mas por mais incrível que pareça era a verdade. Então após a ajudarmos a recolher a mesa e lavar a louça, ela se despediu de nós e disse que voltaria a noite para fazer o jantar, pois não confiava em mim e na Blair para fazer alguma coisa sem que acabássemos destruindo a casa.
  Blair e eu ficamos a tarde inteira sentadas na sala conversando e paralelamente vendo algum filme que passava na televisão, as conversas eram sobre assuntos bem variados mas por coincidência, todos eles nos levaram somente ao menino novo, Harry Styles.. O que ele tinha de especial? De onde era? Como era sua aparência física? Pois apesar de vermos ele no carro, não foi possível ver seu rosto nitidamente, e a curiosidade tomou conta de mim apenas agora, porque no momento que ele estava no carro, a sensação que imanava era muito forte e bloqueou todos meus próprios pensamentos. Perguntas e mais perguntas surgiam a cada minuto em nossas mentes, mas não encontramos nenhuma resposta para elas.
  O tempo praticamente correu, só demos conta disso quando tia Serena veio fazer nosso jantar, enquanto ela fazia aproveitamos para tomar um bom banho e ao sentamos na mesa de jantar agimos normalmente, como se a conversa d hora do almoço nunca tivesse ocorrido e as perguntas não existissem, trocamos apenas opiniões sobre assuntos banais como o clima frio que era extremamente comum na cidade.
  Depois, minha tia foi para a casa dela, Blair subiu para o quarto dela e eu me dirigi para o quarto de hóspedes, que era praticamente meu, porque sempre ficava nele quando meus pais viajam. Me deitei na cama exausta, mas sem explicação para estar tão exausta assim pois tirando as cansativas aulas, não havia feito nada demais. Talvez nem fosse tanto o cansaço físico mas sim o psicológico, pois minha mente ainda estava trabalhando enlouquecida atrás de respostas..
  Peguei meu celular, achei uma playlist calma e coloquei os fones, fechei os olhos com força e tentei me livrar dos pensamentos que me atormentavam. Em pouco tempo, acabei caindo no sono..

  xx no dia seguinte xx

  Hoje chegamos no horário certo para evitar uma outra bronca de tia Serena, e antes que o sinal que dava início as aulas tivesse tocado, o único assunto que circulava pelos corredores era Harry Styles. Não havia um só grupinho que não estivesse falando sobre o novo garoto, não havia uma só pessoa que já não o julgasse pelo seu parentesco, não havia ninguém realmente disposto a conhecê-lo antes de falar algo sobre ele.
  Algumas coisas sobre a cidade: Você tem que sair da sua casa pelo menos de vez em quando, para não ser comparado a um assassino como acontecia com o Senhor Cowell. E se você tiver uma história, mesmo que não queira contá-la e deixá-la em segredo, pode ter certeza de que alguém descobrirá, e a contará em seu lugar..
  Um garoto novo na cidade, morando na chamada "mansão mal-assombrada" com a única pessoa que todos realmente temiam, o recluso da cidade.. Não me admira estarem todos fofocando e criando mil hipóteses e histórias inventadas sobre ele.
  Eu estava conversando com a Blair na frente do meu armário, enquanto pegava alguns livros para o primeiro período, quando o vi e mesmo que não tivesse o visto, saberia que ele estava lá, pois o corredor, que geralmente fica cheio de gente andando de um lado para o outro enquanto as aulas não se iniciam, esvaziou-se em questão de segundos..
  Todos deram um passo para trás quando ele adentrou o corredor como se ele fosse uma espécie de estrela do rock..
  Ou um leproso.
  Mas apesar de tudo o que falaram sobre ele, eu só conseguia notar um garoto realmente bonito. Que com certeza não pertencia a nossa cidade, ele era realmente diferente dos meninos daqui e continha algo só dele. Algo no fundo da minha mente fazia com que meu sonho me assombrasse, como se algo o ligasse ao garoto que sempre fantasiei e ele tinha alguma coisa de especial que fazia com que eu não conseguisse desviar meu olhar mas ele era sobrinho de Simon Cowell. O que tinha de errado comigo?
  Ele passou a mão pelos cachos castanhos que lhe cobriam parcialmente a visão, tirando-os da frente dos olhos e arrumando-os calmamente. Seu rosto ficou modelado pelo cabelo volumoso, fazendo minha atenção voltar-se para o formato angular do mesmo e para seu maxilar fortemente marcado. Sua boca tinha uma tonalidade rosada clara e seus lábios eram delicadamente delineados como se fosse uma pintura a mão de tão perfeitos e seus olhos eram verdes, mas uma tonalidade totalmente diferente de tudo aquilo que você já havia visto. Era um verde mais forte em uma extensão e ia clareando-se ao chegar perto da pupila, essa tonalidade de verde deveria ser classificada como uma nova cor.
  
  Ele andou pelo corredor como se fôssemos invisíveis, ele olhava para o chão, para seus próprios pés, apenas erguendo a cabeça para se localizar.
  - E-ele é.. - Blair começou a frase mas sua voz saiu entrecortada.
  - Bonito.. - Completei a frase enquanto tentava recuperar o fôlego. - Bonito até demais.. - Completei após um tempo e ela apenas assentiu com a cabeça.
  - Bonito? - Austin sussurrou ao passar por mim. - Ele é muito esquisito. - Ele parou a minha frente, olhando-me nos olhos e sorrindo de maneira cínica.
  - Então ele é automaticamente esquisito, por que? - Respondi rapidamente após a ofensa dele. Eu já havia me cansando de aturar Austin fazia muito tempo, mas nunca realmente cheguei a deixar isso claro, porém hoje foi como se algo dentro de mim se libertasse e me desse essa coragem insana para contradizê-lo. - Porque ele não está como você e seus clones? É isso? - Minha voz estava dois oitavos mais alta. 
  Ele permaneceu me encarando, sustentei seu olhar, o qual estava furioso. Seus olhos claros estavam como o mar da Carolina após uma forte e imprevisível tempestade, seus olhos eram olhos de ressaca. E eu soube que devia ter ficado quieta e não o enfrentado, ainda mais para defender alguém que eu nem mesmo conhecia. 
  - Ele é um Cowell... - Ele se aproximou do meu ouvido e sussurrou lentamente essa frase, fazendo com que um estranho arrepio percorresse meu corpo, em seguida ele me deu as costas e seguiu para voltar a encontrar seus clones.
  A mensagem foi clara. Harry Styles não era uma possibilidade..
  Todos ainda acompanhavam-o com os olhos, enquanto ele andava pelo corredor, sem se importar ou fingindo isso muito bem. Encarei-o mais uma vez e suspirei, lembrando-me novamente que ele não era uma possibilidade, por mais tentadora que fosse..

  Continua...
  Minhas lindas, gostaram? Ficou curtinho, então prometo postar um maior da outra vez...
  Continuo com 10 comentários...
  #Mary (@letharrygo_)

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sweet Curse com Harry Styles - Capítulo 2


  Eu ainda estava atônita a tudo o que estava acontecendo, não estava prestando atenção em nada pois minha mente não conseguia parar de criar mil e uma explicações para aquele acontecimento e eu tentava enxergar uma explicação razoável que não deixasse transparecer o quão louca eu estava ficando.
  Nem me dei conta quando chegamos na escola e logo no primeiro dia de aula já chegamos com um pouco de atraso, após Blair achar uma vaga no estacionamento, nós saímos correndo na chuva, nos dirigimos para a secretaria pegar os nossos horários e então fomos praticamente correndo para a nossa sala de aula.
  A primeira aula do dia era Literatura. O professor aplicou uma prova surpresa para ver quem quem havia lido o livro de férias.. Eu já tinha lido há uns dois anos atrás esse mesmo livro, então não o reli nas férias por pensar que ainda me lembraria dos detalhes, porém mais uma vez eu estava errada. Ótimo, me dei mal na primeira prova.
  Um informação básica sobre mim: Eu amo ler, leio praticamente o tempo todo, os livros são os únicos que conseguem me fazer viajar por um mundo imaginário, mesmo sendo por tão pouco tempo.. E geralmente vou muito bem em Literatura por conta disso, mas há meses aquele sonho vem perturbando meu pensamento, sempre fazendo-se presente em minha mente até em horas que eu procurava me livrar de todos os pensamentos, ele continuava lá. Eu estava tão obcecada por esse garoto, por querer descobrir o porque desse sonho, porque eu e o que eu tinha de especial para ele me procurar, que minha mente tem se voltado apenas a criar hipóteses e mais hipóteses nas horas vagas.
  A segunda aula de Química, que não foi muito melhor, primeiro por eu ter uma grande dificuldade em exatas e segundo porque mesmo eu gostando muito do professor, ele me amaldiçoou escolhendo o Austin para ser meu parceiro de laboratório.
  
  Alguns esclarecimentos sobre ele: Austin tinha lindos olhos claros e um sorriso encantador, eu já me apaixonei por ele, me apaixonei porque ele me tratou muito bem, mas simplesmente depois mostrou-me quem era de verdade. Ele não passava de mais um garoto bonito e.. só, ele tinha forma mas não tinha conteúdo, e com o tempo a paixão que eu sentia por ele começou a se transformar em ódio, por ele me desprezar, mesmo que ainda sejamos "amigos", e ainda mais ódio pelo jeito que ele se julga melhor que os outros e sempre consegue um jeito de deixar alguém mal com os seus comentários.
  E o pior é que a maioria dos garotos da escola eram cópias dele, não havia ninguém diferente, que fosse inteligente, bonito e engraçado mas sem ser maldoso, não havia ninguém que merecesse uma atenção especial..

  ...

  Meu dia só piorou!
  Agora era a aula de História Geral, eu simplesmente amava essa aula, mais uma vez por sentir que poderia ser transportada para longe dessa realidade e dessa cidadezinha monótona. A cada história sobre novos lugares, eu me imaginava nesses lugares, escrevendo minha própria história por eles. Me sentei ao lado de Blair ela copiava as anotações da aula anterior, Geografia. Aula em que ela dormira. Assim que me acomodei na cadeira ela parou de escrever e me olhou, seus olhos tinham um brilho diferente, uma expectativa.
  - (S/n) você soube? - Repeti a pergunta na minha mente várias vezes e pensei um pouco antes de responder.. Que eu saiba, nada de extraordinário havia acontecido, mas o que eu deveria saber exatamente?
  - Sobre.. - Arrisquei-me a falar.
  - O garoto novo! - Seus olhos castanhos reluziram quando ela pronunciou a palavra "novo".
  - Blair, tem muitos garotos novos, uma turma inteirinha do primeiro ano. - Falei calmamente enquanto analisava a expressão dela, porém ela se manteve animada.
  - Não, boba. - Ela deu uma risadinha, mostrando que estava sem graça. - É um garoto, mas ele é do nosso ano.
  Fiquei boquiaberta com a notícia. Era um milagre alguém novo entrar na escola, pois era uma das poucas escolas que havia na pequena cidade e por ser pequena em tamanho, a maioria de nós nos conhecíamos praticamente desde crianças ou da primeira série, e alguém vim para cidades pequenas é uma novidade, pois a maioria das pessoas que viviam aqui queria ir embora o mais rápido possível.. Como era o meu caso.
  - Quem é ele? - Não me contive e perguntei, mordendo levemente o lábio inferior.
  - Não sei.. - Blair falou com a expressão triste por ainda não ter visto o garoto. - Mas deve ser bonito, pelo que falaram.. - Minha mente criou mil imagens, idealizando como o garoto novo seria e o mais estranho foi que todas as imagens me levavam novamente para o garoto do meu sonho, como se aquele estranho pudesse ser a pessoa que a meses vem me atormentando, mas como isso seria possível? - E o melhor, ele é músico. - Blair me tirou dos meus devaneios e suspirou, aposto que sua mente também estaria criando mil imagens de como esse garoto poderia ser.
  Uma das meninas da nossa sala, Amy, sentou-se na cadeira vazia na frente da mesa de Blair e ficamos discutindo sobre o garoto novo.
  Desde que Blair tocou no assunto, o garoto novo não saiu da minha cabeça.. A possibilidade de alguém diferente, de um lugar diferente, alguém que já se aventurou pelo mundo, que realmente tem um história e segredos para contar, isso é incrivelmente exitante
  Sempre sonhei em sair desse lugar, aqui é tão monótono.
  - Vocês souberam do garoto novo? - John entrou na conversa dispersando-me mais uma vez dos meus pensamentos.
  - Sim. - Blair respondeu, seus olhos continuavam com um brilho diferente. - Inclusive Amy estava nos contando mais sobre ele, já que ela conseguiu vê-lo rapidamente quando ele estava fazendo sua matrícula na secretaria do colégio. - Blair respondeu, sem conseguir conter a animação em sua voz.
  - Ele não é nada de mais. - John falou e eu abri a boca para protestar, pois só de ser de um lugar diferente, isso para mim era tudo, porém ele me reprimiu com o olhar e simplesmente fechei minha boca e me calei, apenas ouvindo tudo em silêncio. - Ele é pálido, se veste mal e vocês já devem saber de quem ele é parente não é? - Ele perguntou.
  "Ele é pálido, se veste mal", talvez ele fosse apenas diferente, não fosse como o Austin e os garotos que o seguiam, fosse ele mesmo, tivesse sua identidade.. Mas o que realmente chamou minha atenção não foi esse fato, e sim a pergunta final.
  - De quem? - Perguntei curiosa, sustentando o olhar de John.
  - De Simon Cowell. - John pronunciou aquilo calmamente.
  Eu o encarei mais uma vez boquiaberta, desejei que fosse apenas uma brincadeira, mas.. John não estava brincandoMeus pensamentos sumiram do nada, a esperança de alguém novo se dissolveu, e eu mal conseguia falar dele, muito menos imaginá-lo. Por mais que tentasse..
  Simon Cowell era o excluído, o recluso da cidade. Ele morava em uma casa velha, cheia de ruínas, e incrivelmente abominável, ele nunca se deu muito bem com os prefeitos e as autoridades da cidade em geral, ele possuía uma opinião diferente, bom, ele era diferente. Possuía seus próprios costumes, e os seguia sem se importar com o que o resto pensaria disso, de certa forma eu o admirava por ter essa coragem de expressar sua diferença e não se intimidar com as pessoas o julgarem por tal feito.
  Ninguém o via há anos. Muitos boatos haviam corrido pela cidade e era praticamente impossível saber seu paradeiro e se ele estava vivo ou morto.
  - É verdade? - Blair perguntou com a voz falhando. Ela estava em choque, como eu, mas diferente de mim, ela expressava seu choque, enquanto eu preferia guardar apenas para mim mesmo todos os meus pensamentos.
  - Absoluta. - John respondeu decididamente.
  O professor entrou na sala e pediu silêncio, começou a dar a matéria mas a classe continuou a falar do garoto novo e pelo jeito que falavam dele, ele parecia ser esquisito como se fosse uma aberração ou um novo animal extraordinário que chegou a um zoológico famoso, o qual todos comentavam sobre, mas nem mesmo sabiam ao certo como ele era.
  Eu odeio isso!
  Odeio o fato de todos julgarem uma pessoa sem conhecê-la.

  ...

  O sinal para o final do primeiro tempo de aulas tocou. Me dirigi para o refeitório com Blair, pegamos a comida e nos sentamos em uma das mesas junto com o grupinho de pessoas do Austin, trocamos apenas meias palavras e como milagre eu quase nem comi. Minha mente estava confusa e eu ainda estava sem palavras, quando dizem que a frustração é a doença da humanidade eles estão certos, nós idealizamos algo que é perfeito para nós, e geralmente não passa de uma idealização, porque no final o perfeito não existe.
  Eu estava no estado de aceitação da frustração. Esse é o estágio mais difícil, porque mesmo sendo uma idealização, queremos acreditar nela e não no real.
  As conversas ocorriam a minha volta e se eu percebia que estavam falando comigo, comentava um "humhum" só para fazer de conta que estava prestando atenção a conversa, mas na verdade eu olhava um ponto fixo à minha frente e contava os dias para ir embora daquela cidade.
  As aulas do segundo período continuaram normais, uma mais chata que a outra, mas eu estava tão exausta de pensar, idealizar e me frustar que nem mesmo percebi como essas aulas correram..
  Na saída, estava caminhando ao lado de Blair pelo estacionamento para chegarmos ao carro, quando vi pelo canto do olho um carro, que se parecia muito com o carro que vi hoje de manhã, era tão parecido que algo dentro de mim se perguntava se não seria o mesmo..
  Fiquei paralisada com medo de que aquela estranha sensação retornasse, mas quando o garoto, que ocupava o acento atrás do volante, se virou pude notar que ele olhava em minha direção, ou pelo menos eu achava que ele olhava, dessa vez foi como se algo tivesse me atingido com força, a curiosidade falava mais alto que qualquer outra sensação e meu coração perdeu o compasso original.
  Quando ele deu a partida no carro, e o mesmo afastou, virei-me para Blair, sua expressão era de medo, ela segurou minha mão por um instante, sua mão estava incrivelmente gelada. Era como se tivesse visto um fantasma.
  - A-Aquele era..? - Comecei a frase, quebrando o silêncio, mas minha voz saiu entrecortada e eu fui incapaz de terminá-la.
  Ela assentiu com a cabeça.
  - Sim.. - A voz dela saiu extremamente baixa, como se ela tivesse algum receio de pronunciar quem ele era em voz alta e audível. - Era o sobrinho, neto ou sei lá o que, do velho Simon. - Ela falou rapidamente passando a mão no rosto.
  
  A garoa fina que caía sobre nós se transformou em uma horrível tempestade..
  Fiquei parada lá na chuva, não tinha uma explicação para tal feito apenas deixei a chuva me molhar, acabar comigo enquanto eu olhava fixamente para a vaga vazia que poucos minutos antes abrigava o carro do Senhor Cowell. Meu coração ainda estava disparado, e algo no fundo da minha mente alertava-me que não era por medo..
  Blair já havia entrado no carro quando despertei do transe e sentei-me, totalmente encharcada, no banco do passageiro, encharcando-o. Meu corpo estava arrepiado por conta do frio e apenas aumentou por eu estar molhada, mas eu nem mesmo era capaz de sentir o frio. Como se algo maior bloqueasse todas as outras sensações.
  Blair dirigiu de volta para casa. Eu olhava para a paisagem pela janela do carro, mas via apenas a chuva encharcar tudo a minha volta.
  Me deixei ter esperanças, achei que esse ano seria diferente, mudaria algo. Mas continuava tudo igual...

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#Mary (@letharrygo_)

domingo, 19 de abril de 2015

Sweet Curse com Harry Styles - Capítulo 1


  Caindo...
  Eu estava despencando em queda livre. Ouvi um chamado, uma sua voz baixa e um pouco rouca entoando o meu nome e não era uma voz qualquer, era a voz dele.. Meu coração deixou de bater no compasso original e passou a bater em um ritmo frenético.
  - (S/n) me ajude.. - Um silêncio se estendeu por um tempo indeterminado. - Por favor..
  Ele, quem quer que o seja, caia também.
  Eu podia sentir uma onda de desespero irradiar de seu corpo e se impregnar em meu próprio corpo. Estiquei meus braços tentando alcançá-lo e sentir seu toque, mas foi apenas uma tentativa frustrada pois encontrei apenas ar..
  Olhei para baixo, não conseguia enxergar o chão sob meus pés, como se eu estivesse em uma queda eterna. Uma sensação se fazia presente em meu corpo, não era ruim, mas também não era boa. Era como se eu estivesse em um mundo paralelo no meio de todos os mundos existentes nessa galáxia. Como se existisse algo que me distanciasse do céu, mas não conseguisse me fazer chegar até o inferno..
  Não consegui segurá-lo, ele nem mesmo tocou minhas mãos, apenas escorregou por entre meus dedos, se perdeu..
  Alguma coisa me ligava a ele, disso eu tenho certeza, mas ainda não estava ciente do que era, e nem da razão.. E era assustador como esse sonho era real, eu ainda podia ouvir a voz dele ecoando em minha mente e sentir o seu perfume, doce e amadeirado, se dissipando pelo ar, como se ele estivesse mesmo aqui.
  - (S/n)! - Ouvi o meu nome e nessa hora o sonho se interrompeu por completo, como se a realidade voltasse com um baque surdo em minha mente. - Levanta, senão vamos nos atrasar! - Blair me chamava.
  Sentei-me na cama, podia ouvir o som da chuva respingando contra o vidro da janela bem baixinho, voltei meu olhar para ela, devia ser de manhã, o sol já estava despontando no horizonte. Eu estava no meu quarto e não caindo..
  Minha cabeça latejava..
  Deitei novamente na cama, só por mais cinco minutinhos. E a lembrança do sonho foi se dissipando, como sempre.. O dia estava frio e chuvoso, e ali na minha cama me senti realmente em segurança. Abri os olhos vagarosamente e voltei meu olhar para alguns desenhos pendurados na parede. O que havia de errado comigo?
 Há meses que eu tinha esse mesmo sonho, nunca conseguira me lembrar de tudo, apenas da parte em que eu caia, e o garoto caia. Eu tentava segurá-lo, tocá-lo, tê-lo nos meus meus braços mas não conseguia, só sabia que não poderia perdê-lo ou simplesmente deixá-lo ir. Era como se eu estivesse apaixonada por ele, mesmo não o conhecendo e nem mesmo sabendo se ele existia de verdade. Era como um amor antes da primeira vista...
  Isso era o cúmulo da loucura, claro.
  Ele era só um garoto de um sonho, fruto da minha imaginação e dos meus desejos mais primitivos, certo? Ele era a personificação de tudo o que mais me atraía, e todo esse mistério envolto nesse repetitivo sonho estava fazendo com que eu confundisse as coisas, porque eu não poderia me apaixonar por alguém que só existe na minha mente..

  Nos sonhos, o mais estranho era que eu nunca me recordava de ver seu rosto, o que me causava toda essa confusão era na verdade a sensação que irradiava de seu corpo e apesar de tudo ser apenas um sonho, era uma sensação horrível vê-lo se perder.
  Eu só podia estar enlouquecendo, na verdade estou passando a considerar a hipótese de já estar realmente louca.
  - (S/n), vamos! - Blair gritou novamente fazendo-me acordar de meus devaneios.
  Sentei na cama afastando as cobertas, o frio invadiu meu corpo. Eu estava suando, com os cabelos colados ao suor no pescoço e ofegante, da mesma forma que sempre fico após ter esse sonho.. Entrei no chuveiro, tentando esquecer tudo aquilo ou pelo menos deixar aqueles pensamentos de lado, porém era impossível esquecê-lo ou deixá-lo de lado. Sempre me via perseguida por ele, seja o modo como seu perfume se fazia presente na minha pele, seja quando eu me pegava pensando no misterioso garoto. Eu sempre tinha o mesmo sonho, e não conseguia explicá-lo. Também nunca contei a ninguém, porque tinha muito medo que me julgassem, por estar.. err.. apaixonada por um garoto que nem sequer existia.
  Sim, estava ficando mesmo louca. Biruta da cabeça..
  Sai do banho e comecei a me concentrar nas minhas tarefas diárias, dissipando aqueles pensamentos por algum tempo mas tendo a total certeza que mais cedo ou mais tarde eles voltariam a me assombrar. Me troquei, dando graças a Deus por não precisar usar uniforme naquela escola:
  
  Desci as escadas e me sentei na mesa, junto com Blair, que já estava pronta e já havia tomado o seu café. Essa manhã eu estava com uma fome anormal, como se não comesse nada a mais de uma semana, devorei praticamente tudo o que vi pela frente.
  Blair me analisava, enquanto eu terminava de comer.
  - (S/n), você está diferente hoje.. - Blair olhou nos meus olhos e sustentei o olhar por algum tempo, encarando o chão depois para que ela não percebesse a onda de preocupação que me atingiu ao ouvir aquilo. Como assim eu estava diferente? Isso era bom ou era ruim? Eu deveria me preocupar? - Está mais bonita.. - Dei um meio sorriso, a preocupação se dissipou, e por um tempo eu fiquei a analisar a frase, pois praticamente nem tinha me arrumado direito. - Vamos? - Ela falou após eu terminar de comer.
  - Vamos. - Subi ao meu quarto, escovei os dentes, peguei minha mochila, dei mais uma conferida no espelho e fui em direção ao carro. Ela já estava me esperando.
  Era Blair quem dirigia o carro, apesar de nós duas termos tirado carteira. Os pais de Blair trabalhavam a maior parte do dia e mal os víamos em casa, se víamos eles estavam sempre ocupados demais para nos dar alguma atenção, embora eu soubesse que todo o esforço que faziam era necessário e sua maior parte era para a formação de Blair, mas ela já havia se adaptado a isso, e por isso era tão independente na maior parte do tempo.
  Ela ligou o volume do rádio no máximo para que nós duas despertássemos, porém eu estava com uma enxaqueca tremenda, em seguida ligou o carro, dando a partida logo depois. E enquanto fazíamos o mesmo caminho de sempre para a escola, eu apenas encarava a chuva banhando as casas ao longo do caminho, todas eram velhas, e praticamente estavam caindo aos pedaços. O passado ainda se fazia presente, impedindo que o futuro chegasse e trouxesse grandes mudanças para a cidade..
  - Blair desliga essa música.. - Falei calmamente, minha mente girava e doía a cada batida mais forte da música, enquanto a chuva lá fora caía com mais intensidade.
  - Okay. - Ela fez uma careta pra mim e quando pensei que ela iria desligar o rádio para a minha felicidade, ela voltou a falar: - Vou trocar de música!
  E então ela tirou os olhos da estrada e voltou o olhar para baixo, apertando rapidamente os botões do rádio, mudando as estações freneticamente sem nem mesmo ouvir o que cada uma tinha a oferecer.
  - Blair, olha pra frente. - Pedi porém ela nem mesmo ergueu o olhar.
  E com o canto do olho vi um carro estranho passar na frente do nosso..
  Por um mísero segundo os sons da rua, da chuva e das estações de rádio se dissolveram no silêncio inconfortável. Era como se tudo se movesse em câmera lenta e como se apenas eu sentisse essa mudança na atmosfera, mais uma vez tendo a sensação de estar aprisionada entre o céu e o inferno. Não consegui desviar o olhar do carro, mas eu sentia algo. Não era uma sensação normal, era um frio na barriga, uma mistura de todas as sensações existentes, tendo o medo e a curiosidade se contrapondo como as principais.
  Eu não reconheci o carro, ele era digamos que diferente. Não devia ser de nenhum morador local. O carro passou por nós, e seguiu na direção contrária. A chuva voltou a cair intensamente, as estações do rádio voltaram a tocar músicas conhecidas porém eu ainda me encontrava imóvel, sentindo tudo e  não expressando nada, só continuava olhando para o local onde havia visto o carro.
  - Aqui está a música!- Blair voltou a olhar para frente como se nada tivesse acontecido, e cantou: - "I'm sexy and I know it.." 
  O tal carro já havia desaparecido da minha vista, mas minha mente ficou ainda mais confusa com tudo, tanto que nem mesmo dei atenção para a Blair cantando. Por que ela estava agindo normal? Será que não sentiu tudo se dissolver por alguns momentos? Será que não sentiu-se como eu? Será que aquilo era um sinal só pra mim?

Meninas, o que acharam do primeiro capítulo? 
Continuo?
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#Mary (@letharrygo_)

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Sweet Curse com Harry Styles (Prólogo)

Oi meninas, me pediram pra continuar Sweet Curse, então vou repostar os primeiros capítulos e continuar escrevendo, espero que vocês gostem da fanfic e que acompanhem-na, podem deixar críticas, elogios, pedidos, etc, mas por favor dê a sua opinião.. Essa fanfic é baseada no livro 16 Luas. Prólogo:

  Eu morava numa cidadezinha no Norte do Canadá, minha família toda nasceu e sempre morou por aqui, gerações e gerações. No momento meus pais estavam viajando a negócios, eles nunca paravam em casa e não tenho irmãos, nem nada do tipo.
  Estava passando esse tempo na casa de minha melhor amiga, Blair. Como sempre faço quando meus pais estão viajando, ou seja, quase sempre. A família de Blair é como minha segunda família, eles sempre me acolheram devido ao fato de nossos pais se conhecerem desde o colégio, e nós duas nos conhecermos desde muito pequenas.
  Entraríamos no segundo ano do Ensino Médio, e eu desejava com todas as minhas forças que o tempo passasse o mais rápido possível, pois não via a hora de deixar aquela cidade monótona e me aventurar pelo mundo... Por um lado é estranho, porque geralmente as pessoas tem medo dessa fase de transição que acontece quando a escola chega ao fim, querem viver o Ensino Médio para sempre, mas eu ansiava por isso. Considerava uma oportunidade de descobrir novos mundos e lá no fundo, ansiava por descobrir quem sou de verdade, achar minha própria identidade..
  A cidade não era igual aquelas que se passavam nos filmes americanos de sucesso, que tinham de tudo, onde aventuras ocorriam a cada instante, etc... Aqui não tinha absolutamente nada, nem mesmo StarBucks. Estávamos no século vinte e um, mas toda a cidade, principalmente as pessoas que aqui habitavam, pareciam viver ainda no século passado.
  A cidade em si não era complicada, ela era ela mesma.. Já as pessoas, não posso dizer o mesmo. O frio e as chuvas eram constantes, uma característica típica daquela região. 
  E nada. 
  Mudava. 
  Nunca.
  Amanhã seria o início do ano letivo, após o longo período de férias, e como já deu para perceber, eu não estava nem um pouco empolgada.. Já tinha em mente tudo o que aconteceria, com quem falaria, os assuntos que circulariam pelos corredores, onde me sentaria... Não havia surpresas. 
  Era o que eu pensava quando desliguei meu Iphone e apaguei todas as luzes do meu quarto, deitando na cama e encarando o teto do meu quarto até o cansaço tomar conta do meu corpo e meus olhos se fecharem lentamente.
  Eu não poderia estar mais errada!
  Havia um garoto...
  Havia um mistério...
  Havia uma doce maldição...
  Nunca sequer, imaginei o que aconteceria...

Gostaram? Acham que tem potencial para continuar?
CONTINUO COM 5 COMENTÁRIOS!

#Mary
(@letharrygo_)

Imagine com Niall


  A cama parecia tão grande sem ele.. Cada canto da nossa casa me lembrava dele, sua risada ecoava mesmo quando tudo estava no mais completo silêncio, as palavras e brincadeiras nossas corriam pela minha mente, eu visualizava sua imagem mesmo de olhos fechados e podia sentir o doce dos seus lábios se confundindo com o doce do café.. Era enlouquecedor.
  Como pude me apegar tanto a ele mesmo em tão pouco tempo de convivência? Como ele consegue mexer comigo de um jeito que nenhum outro homem conseguiu? E o pior, como posso sentir tanta falta dele, precisar tanto dele e ser tão dependente? 
  Minha mente vagava enquanto a chuva banhava a cidade.. Fazia uma semana, exatos sete dias, que mal trocamos algumas palavras. Isso doía, era desgastante e só fazia eu perceber o quão apaixonada por ele eu era, mas também que eu precisava dele, não uma vez a cada quinze dias para nos suprir das necessidades, mas eu precisava dele diariamente. Precisava das suas palavras de conforto, das briguinhas por ciúmes que sempre acabavam com um "eu te amo", das brincadeiras só nossas, eu precisava dele, por completo.. E tinha muito medo de precisar demais dele, e ele não precisar de mim na mesma intensidade.
  Sempre tive o problema de ser muito intensa. Sentir tudo intensamente era como estar no céu e no inferno ao mesmo tempo, era como sentir amor e ódio por uma mesma pessoa, como amar intensa e profundamente e se machucar da mesma maneira, como estar nas nuvens em um instante e no instante seguinte estar em pedaços.. 
  Me levantei da cama, joguei um manto sobre os ombros e caminhei até a cozinha, parando ao ver as flores com o bilhete que ele havia mandado entregar esta manhã: "Eu gosto de quando você acelera meu coração e de quando o acalma também. Ficar com você me deixa louco e ficar sem você, me deixa mais louco ainda.. Eu vou lutar por ti cara." Não pude deixar de sorrir mais uma vez ao ler novamente o bilhete, mesmo que minha mente já tivesse decorado cada uma dessas palavras, e eu as tivesse usando-as como a única coisa para me manter de pé e sentir que ele se importa comigo, que me ama na mesma intensidade com que eu o amo.
  
  Quero acreditar que o aparente distanciamento entre nós é apenas ocasionado pelas nossas aulas na faculdade e o trabalho, que consome maior parte do nosso tempo.. Mas algo, dentro de mim implicava que não era apenas isso, fazia minha cabeça tentar colocar uma sombra de dúvida no que o coração acreditava fielmente. Razão e emoção mais uma vez entrando em conflito..

  "Oh, the spaces between us
  Keep getting deeper
  It's harder to reach her, even though I try
  Spaces between us
  Hold all our secrets
  Leaving us speechless, and I don't know why"


  Meu celular começa a tocar Spaces, minha música preferida. O celular estava na sala ligado na tomada carregando, vou correndo até lá e a esperança que crescia em meu peito se confirma, fazendo um sorriso automático nascer em meus lábios ao ver que era uma ligação do Niall.
  - Alô? - Falei sorrindo.
  - Oi princesa. - Ele falou, fazendo um arrepio percorrer meu corpo ao falar meu apelido.
  - Senti saudades.. - Falei sem conseguir esconder o misto de sensações naquele instante. - Senti muitas saudades suas.
  - Eu também estou com muitas saudades suas.. - Ele falou. - Posso te pedir uma coisa, princesa? - Minhas mãos começaram a suar frio na hora, nunca estava preparadas para momentos assim, pois sempre pensava que ele iria terminar comigo ou algo do tipo.. 
  Acho que quando você não é o suficiente uma vez, nada do que lhe falem ou prometam ira mudar o fato de você se sentir insegura e insuficiente para amar uma vez mais, tentar segurar outra pessoa mas sentir que lá no fundo você não possui nada de especial que prenda essa pessoa a ti, e que ela pode encontrar alguém melhor que você.. É uma sensação horrível.. 
  - Claro príncipe.. - Falei engolindo em seco e tentando me preparar psicologicamente para o que ele me falaria.
  - Princesa, vai até a sua porta. - Ele falou calmo.
  - Por que príncipe? - Perguntei pegando as chaves e me dirigindo até a porta.
  - Não pergunta nada, só faz o que eu estou te pedindo princesa, por favor.. - A voz dele deu uma vacilada e a cada passo que eu dava em direção a porta meu coração ameaçava pular do meu peito de tão rápido que batia. 
  - Okay.. - Cheguei a porta, tentei pelo menos três vezes acertar a chave na fechadura porque minhas mãos tremiam levemente. Girei a chave devagar e logo depois abri a porta.
  Me deparei com uma pessoa parada, com um enorme buquê de rosas vermelhas na frente do rosto. Minhas mãos suavam e meu coração perdeu de vez o compasso original, ainda mais quando a pessoa tirou lentamente o buquê do rosto.. era o Niall. Em carne e osso na minha frente, após sete dias sem ter sequer uma conversa descente comigo..
  Ele desligou o celular e o guardou no bolso do jeans, deu um passo a frente e me entregou o buquê. Antes de me dar um selinho demorado ele passou a mão pelo cabelo, que estava molhado por causa do chuva e tentou arrumá-lo em uma tentativa frustrada. Entramos, ele fechou a porta enquanto eu colocava o buquê na mesa da cozinha, então chegou por trás de mim e entrelaçou os braços na minha cintura, empurrando de leve meu corpo contra a mesa da cozinha e colando nossos corpos. Meu Deus, como eu sentia falta disso.. Do conforto dos braços dele, do calor que seu corpo emanava, do modo como nós nos encaixávamos como se fôssemos feitos um para o outro..
  
  - Eu te amo.. - Ele sussurrou no meu ouvido, fazendo meu corpo inteiro se arrepiar e minhas pernas ficarem meio bambas.
  Quando você fica um tempo longe de alguém que ama, sua mente, seu corpo e seu coração anseiam por encontrar novamente a pessoa. O tempo e a distância fazem com que coisas assim se transformem em pequenas lembranças e você as perde em meio as mais importantes e então, quando as revive novamente é como se tivesse vivendo aquilo pela primeira vez. É bonito, é intenso, é único e verdadeiro.
  Ele afrouxou os braços, que estavam segurando fortemente minha cintura, e me virei, ficando cara a cara com ele. Eu o amava, na mais ampla definição dessa frase.. Amava o modo como aqueles olhos azuis me prendiam, como se escondessem um mar de segredos, amava a boca dele, que sempre me proporcionava as sensações mais intensas, amava a covinha que nascia em sua bochecha sempre que ele sorria, amava o sorriso torto dele, amava mais ainda quando eu era motivo para tal sorriso e amava ele por completo, cada uma das perfeitas imperfeições dele.
  - Eu te amo.. - Sussurrei, em seguida entrelaçando meus braços no pescoço dele e correndo meus dedos pelo cabelo molhado dele, até chegar perto da nuca, seguro fortemente aquele local e puxo seu corpo contra o meu, unindo nossos lábios novamente mas dessa vez em um beijo de verdade. O beijo que eu ansiava a dias, o beijo que vagava nos meus pensamentos, o beijo que havia me viciado lentamente e que agora eu não conseguia viver sem..
  Ele segura minha cintura e me ergue a centímetros do chão, entrelaço minhas pernas em seu abdômen e agora as mãos dele descem da minha cintura para minhas coxas, segurando-as com vontade enquanto nosso beijo se intensificava ainda mais. Ele caminha comigo e quando paramos o beijo já estamos na sala, ele se senta no sofá e eu fico sentada em seu colo, com as pernas ainda entrelaçadas em sua cintura e os braços ao redor de seu pescoço, junto nossos lábios novamente para mais um beijo. Porém dessa vez o beijo é calmo, como se estivéssemos novamente nos conhecendo.. 
  - Príncipe.. - Falei quando paramos o beijo a procura de ar. - Eu senti sua falta..
  - Eu senti tanto sua falta.. - Ele me segurou mais fortemente contra seu corpo. - Desculpa por tudo essa semana.. - Ele abaixou o olhar e sua expressão ficou vazia.
  - Você não precisa se desculpar.. - Falei tentando amenizar a situação, e de certa forma me condenando por começar esse assunto. - Eu sei que nossa rotina está um pouco demais, mas que é necessário passarmos por isso.. - Encarei o nada por um tempo, esperando que ele falasse algo, mas ele continuou em silêncio. Esse silêncio era enlouquecedor, era o tipo de silêncio que continha todas as palavras não ditas, todos os sentimentos escondidos, tristezas e alegrias que não foram compartilhadas e que justo agora estão correndo pela minha mente. 
  Pigarrei. Tudo continuou em silêncio.
  - Niall? - Quebrei o silêncio depois inspirar e tomar a coragem necessária.
  - Sim? - Ele falou com a voz monótona.
  - Vamos ficar assim? - Perguntei, tendo receio da resposta..
  - Assim como? - Ele perguntou me encarando.
  - Porra Niall. - Me levantei do colo dele e parei a sua frente. - Eu estou morrendo de saudades suas porque faz uma semana que temos esse tipo de contato, nem mesmo temos conversas descentes, porque nossas agendas estão cheias de compromissos e nossos horários estão diferentes demais, e porra, é só eu tocar nesse assunto que você simplesmente muda, fica quieto, não fala comigo, não faz porra nenhuma. - Falei dois oitavos acima do meu tom de voz normal.
  - Eu estou fazendo o que eu posso. - Ele se levantou e ficou de pé na minha frente. Seus olhos azuis me encaravam furiosamente, - O que você quer que eu faça mais? Que largue tudo por você? Que deixe o trabalho ou os estudos por você? Porra, eu estou fazendo o meu melhor, não tenho culpa se nossas rotinas estão assim.. - Ele falou com a voz mais alta e ligeiramente mais grossa.
  - Eu sei das nossas dificuldades porra. - Gritei e depois encarei o chão abaixo de meus pés. - Eu só.. Eu só sinto sua falta com tudo isso.. Está tudo tão diferente que está me assustando.. - Confessei sentindo meus olhos começarem a arder e as primeiras lágrimas se formarem.
  - Eu sei que está tudo muito diferente. - Ele falou com a voz novamente em tom normal. - A vida está acontecendo, mesmo que nós preferíssemos que ela simplesmente se congelasse num passado melhor, não é assim, ela precisa acontecer, talvez para o nosso próprio bem.. - Ele se calou por um instante, pesando as suas próximas palavras. - Eu sei que está tudo distante entre nós, que mal nos falamos de semana, e que mal temos tempo no final de semana. No mundo atual são poucos os que amam por motivos como esses mas.. - Ele se calou novamente e ficou um grande tempo em silêncio.
  - Mas.. - Falei incentivando-o a continuar.
  - Mas nós nos permitimos o amor. - Ele deu um passo a frente, se aproximando de mim, segurou meu queixo com um dedo e ergueu meu rosto fazendo nossos olhos se encontrarem. - Eu não quero que você chore por conta disso. - Ele falou ao notar meus olhos com lágrimas prontas a escorrer a qualquer instante. 
  - Okay.. - Falei e levei uma mãos aos olhos, secando as lágrimas.
  - Nós vamos dar um jeito em tudo, vamos fazer dar certo.. - Ele falou encarando o fundo de meus olhos. - Senão, ficaremos juntos mesmo estando errado.
  - Você promete? - Perguntei choramingando.
  - Prometo. - Ele falou e em seguida me puxou para um abraço. Envolveu-me com seu corpo e naquele instante senti que tudo ficaria mesmo bem, senti que não importava quanto tempo ficássemos longe, sem nos falar ou nos tocar, que quando nos reencontrássemos seria sempre daquela mesma maneira, e nesses momentos eu me apaixonaria mais uma vez por ele. 
  - Eu te amo.. - Sussurrei sentindo o calor do corpo dele esquentar o meu corpo, e as batidas de seu coração ficarem mais intensas, como se fundissem as minhas próprias batidas pela união de nossos corpos.
  - Eu te amo princesa.. - Ele sussurrou ao meu ouvido. - Nunca vou deixar que isso acabe. Você vale cada palavra de amor. Você vale cada boa ação, vale cada sorriso, cada lágrima de alegria. Você vale os raios do sol e o ar quente, que valem a alegria e o riso. Você vale tudo de bom e bonito.. Você vale muito e escolheu me amar, e seu amor vale mais que tudo, e eu não vou desistir dele. 
  Ergui minha cabeça, para encará-lo e pude ver que ele sorria, aquele sorriso perfeito, que qualquer um cobiçaria e daria tudo para ser o motivo, e eu era o motivo, ele sorria por minha causa. Fiquei na ponta dos pés e selei seus lábios, ele envolveu minha cintura e nosso beijo foi se intensificando aos poucos. 
  
  Era assim que eu nos imaginava. Éramos praticamente opostos, e de alguma maneira o velho ditado se encaixou para nós.. Eu o amava e ele me amava. E mesmo tendo vidas totalmente diferentes, rotinas sobrepostas que nunca se encontravam, trabalhos e estudos que preenchiam a maior parte dos nossos dias, e essas frequentes briguinhas e desentendimentos, era com ele que eu me imagina no futuro. Daqui dez, quinze, vinte anos. Era com ele que eu me imaginava casada, cuidando de uma grande casa, era ele quem eu imaginava sendo pai dos meus filhos, e imaginava-os pequenas cópias dele, todos loirinhos, de olhos claros como pequenos anjos.. Nunca imaginei isso com outro alguém, e nem sei se conseguiria imaginar. Não parece certo com mais ninguém. Era algo nosso. Algo que dava uma diretriz para mim que ele era o certo, mesmo sendo difícil às vezes, e eu lutaria por ele, lutaria até sem forças ou motivos, porque simplesmente ele vale a pena.. 

Gostaram meninas?
TEVE 14 COMENTÁRIOS NO OUTRO PORRA VOCÊS NÃO TEM NOÇÃO DO MEU SORRISO AO VER ISSO
Fiquei ainda mais feliz, mas espero que continue assim, senão não sei se continuo a postar se vocês mudarem e não darem mais opiniões nos imagines..
Posto outro se tiver 5 comentários..
#Mary (@letharrygo_)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Heart Like Yours com Niall

Oi meninas, esse é outro pedido, espero que gostem.. E aqui a música para quem quiser escutar enquanto lê, só clicar aqui. 

  O sol que entrava por uma das frestas da cortina batia bem no meu rosto, me virei na cama e abri os olhos preguiçosamente, focando-os na direção do rádio-relógio do meu criado mudo. Eram pouco mais das oito e meia. O que eu estava fazendo acordada a esse horário em pleno sábado? Meu Deus, eu era uma louca.
  Me cobri inteiramente com o edredom e tentei dormir novamente, mas então minha mente deu um clique, e lembrei que hoje era o dia da grande apresentação do Niall, meu quase namorado. Quase porque.. ele ainda não havia me pedido em namoro, éramos mais que míseros amigos só que não chegávamos nem aos pés de sermos considerados grandes amantes ou um lindo casal.
  Niall era o típico mauricinho, loiro e com olhos tão azuis quanto o céu mais límpido e infinito, uma boca rosada e carnuda, a mesma que delineava meu sorriso torto preferido desse mundo, e sim, ele era bonito, bonito até demais. Mas além de ser bonito, também era inteligente, o exemplo disso era que ele nunca tirava uma nota abaixo de sete, apesar de não se dedicar tanto aos estudos.. e era também talentoso, tocava violão com uma precisão inigualável e sua voz tinha um timbre diferente das demais..
  
  Ele era o que todo mundo sempre quis, mas havia algo mais, talvez algum mistério por trás daqueles olhos, ou quem sabe algum segredo que nunca poderia ser revelado.. Bom, eu não sabia ao certo, mas ele era diferente dos demais, e disso eu tinha certeza, pois entre dezenas de meninas aos seus pés, ele resolveu tentar me conhecer melhor.. E eu.. bom, eu não era a típica menina a qual chamaria a sua atenção.
  Eu era mediana, não era bonita mas também não era feia, era simplesmente normal. Odiava falar em público, odiava que me olhassem por muito tempo ou até mesmo que tentassem me conhecer mais a fundo, pois eu já fora machucada antes e tinha medo de me machucar novamente, por isso me escondia atrás dos meus longos cabelos e dos meus óculos. Eu era a menina tímida e nerd, a qual nunca ninguém desconfiaria que chamaria a atenção de alguém como ele.. Principalmente porque eu não gostava de gente como ele.. Claro que ele era lindo, e simpático, e tinha um sorriso perfeito, mas parecia ser apenas isso, parecia que ele apenas seguia um roteiro, parecia que ele era perfeito enquanto eu era coberta de imperfeições.
  Mas minha concepção sobre ele mudou quando nossa professora de redação separou a classe em duplas, escolhendo eu e ele, e nos mandou fazer uma redação sobre nossos maiores medos. Mas para escrevermos, teríamos que confiar na outra pessoa e lhe contar nossos medos, nossas inseguranças, nossas vulnerabilidades.. Mas eu não confiava nele, eu nunca nem mesmo havia tido coragem de trocar uma palavra com ele, ainda mais lhe falar sobre meus medos..
  Ela nos deu uma aula para nós nos conhecermos e depois deixou-nos terminar em casa e lhe entregar dentro de duas semanas. Bom, na aula não falamos sobre nada.. Passei quarenta e cinco minutos listando todos os meus medos e decidindo-me sobre qual deles valeria a pena contar para aquele "desconhecido" mas minha insegurança tomava conta de tudo.. Eu já tinha confiado muito em alguém e me machucado depois, fiquei quebrada e tive que juntar cada pequeno caquinho novamente. Não lhe digo que foi uma tarefa fácil, pois não foi, mas também não havia sido impossível, tanto que eu ainda estava viva para contar a história.. não havia simplesmente jogado tudo para o ar e recorrido a morte como melhor solução, mesmo tendo visado essa alternativa inúmeras vezes.
  E talvez por causa disso eu tenha me fechado um pouquinho para mundo, e principalmente, para as pessoas.. Tenho um medo absurdo de confiar novamente em alguém, amolecer o coração que por tanto tempo treinei para ser de pedra e então, aparecer mais um filho da puta e me deixar novamente em pedaços.. Mas como eu explicaria isso para ele? Como eu poderia falar do que eu sinto para um completo desconhecido?
  Eu me perdi em meus próprios devaneios, despertando apenas quando o sinal do fim da aula tocou. Eu me voltei para ele e percebi que ele me olhava atentamente, me olhava com desejo, curiosidade, me olhava com um olhar convidativo, um olhar terno, um olhar quase amigo.. Mas eu odiava que me olhassem.. odiava que me olhassem porque eu era imperfeita, meu sorriso não era tão feliz quanto aparentava ser e meus olhos poderiam revelar toda a tristeza que guardo pra apenas pra mim..
  Achei que ele se irritaria por eu ter me perdido nos meus próprios devaneios sem nem mesmo tentar conversar com ele, mas ele apenas me passou um bilhete com o nome dele e um telefone, e me pediu para ligar para ele quando eu tivesse pronta para fazer aquela redação, porque pelo que ele havia visto, falar de algo tão pessoal para mim era motivo de desconforto.. Meu coração deu uma amolecida nesse instante. Ele não me julgou, ficou bravo ou gritou comigo querendo saber mais.. ele simplesmente entendeu que eu precisava do meu tempo, e foi a partir desse dia que comecei a vê-lo com outros olhos.
  Claro que demorou dias para que eu tomasse coragem e mandasse uma mensagem para ele combinando de nos encontrar, mas eu mandei.. Mandei quando me senti pronta, me senti mais confiante comigo mesma, e me sentia capaz de contar para alguém o que tanto me apavorava..
  Marcamos em uma sexta feira a tarde, na minha casa já que era mais cômodo pra mim. Ele atendeu ao meu pedido, foi um cavalheiro com a minha mãe, e conseguimos fazer uma redação, e de modéstia parte, até que ficou boa. Conversamos por horas a fio, sobre nossos medos, sobre nossos sonhos, sobre as pessoas que já passaram pela nossa vida e que apenas bagunçaram-na, e ele destruiu todos os meus pré-conceitos sobre ele.. Ele era alguém melhor do que eu esperava, muito melhor. Ele era sim alegre, simpático, respeitoso, mas ele já havia passado por muita coisa, assim como eu, só que eu contrário de mim ele não se fechou para o mundo ou decidiu ver apenas o pior nas pessoas, ele literalmente recomeçou.
  De certa forma gostei de conhecê-lo melhor, mas soube nesse exato momento que seria inevitável eu me apaixonar por ele, e eu me apaixonei, me apaixonei no instante em que ele decidiu me fazer perder o medo de confiar nas pessoas, me apaixonei não pelo físico mas pelo que ele era além de qualquer aparência, me apaixonei e me tornei alguém melhor por isso.. Ele virou meu amigo, meu confidente, meu porto seguro, e mesmo que tenhamos viramos amigos muito rapidamente, a amizade parecia ter anos e anos.
  Ele começou a se sentar comigo nas aulas, a me chamar mais para conversar e para sair, e com o tempo fui me soltando, fui voltando a ser aquela menina de antes e nem mesmo parecia que alguém tinha me machucado anteriormente. Às vezes tudo o que nós precisamos é de alguém para segurar nossa mão quando deixamos o passado para trás, e ele fez isso comigo.. Quando estávamos juntos era como se não existisse mais dor, era como um mundo perfeito, paralelo a nossa realidade.
  E com o tempo, bom, deixou de ser uma simples paixão adolescente e virou amor.. Eu jurei que nunca mais queria amar e me entregar para alguém, já havia me machucado muito e não queria passar por aquilo novamente, mas algo nele me fazia acreditar novamente no amor.. Talvez eu tenha confundido as coisas, talvez seja cedo ou tarde demais, talvez seja temporário, mas há sempre a possibilidade de ser para sempre.. E a melhor parte é que ele também sente algo mais por mim.. Quase inacreditável, não? Mas é verdade, senti que era verdade quando ele me beijou por impulso certa vez no cinema, e naquela hora, eu senti tudo, principalmente medo e aquela sensação de estar realizada, pois foi a primeira vez que senti que eu poderia ser o "tudo" de alguém, não apenas uma simples amiga ou confidente.
  Eu havia me perdido em devaneios, como sempre nesses últimos tempos, e sempre os mesmo devaneios, sempre minha recém história com o Niall.. Me virei novamente na cama e o relógio já marcava dez e quarenta e dois.. Me levantei rapidamente, fiz minha higiene pessoal, me troquei e me arrumei, em seguida descendo para a cozinha para tomar um café da manhã.

  xx Algumas horas depois xx

  O dia havia sido calmo, calmo até demais. Confirmei com o Niall a apresentação de hoje e ele revelou que tinha uma surpresa para mim e que era para eu ir preparada.. Ele adorava me fazer surpresas, adora falar coisas que mais ninguém falaria e me arrancar sorrisos bobos para em seguida dizer que tenho o sorriso mais lindo do mundo e beijar o cantinho da minha boca. Mas hoje era diferente, eu sentia ser diferente, sentia algo maior dentro do meu peito, mas não conseguia distinguir se era apreensão pelo fato de ser uma surpresa e eu odiar surpresas, ou se era outra coisa como o medo que queria tomar conta de mim.
  Se passavam das seis horas da tarde e como a apresentação começaria as oito, decidi me arrumar, até porque eu demoraria um século procurando a roupa ideal e ainda mais que teria a surpresa do Niall, só de pensar fazia meu coração acelerar, como a muito tempo não acontecia.. Eu queria estar perfeita, perfeita para ele.
  Tomei um banho demorado, em seguida coloquei uma lingerie e comecei a revirar meu guarda-roupa na esperança de achar uma peça de roupa apresentável, mas nunca sentia que era bonita o bastante. Por fim achei uma saia azul estampada e nova, pois nunca tinha usado-a por não achar meu corpo bonito, mas aquela era uma ocasião especial, não era por mim e sim pelo Niall, e não daria para eu ir de jeans e tênis como era de costume.
  
  Pouco mais de quarenta minutos depois eu estava pronta, já havia arrumado o cabelo, deixando solto e também feito uma leve maquiagem nos olhos para destacá-los. Me olhei no espelho e quase não me reconheci.. Estava tão diferente da menina de meses atrás, a que estava sempre triste e que inventava qualquer desculpa para não sair de casa, a menina que se escondia atrás de seus óculos, que só usava roupas largas, a menina que era triste e que não tinha motivo nenhum para sorrir.. Vendo-me assim agora era como se ela nunca tivesse nem mesmo existido, era como se aquela menina não fosse eu.. Pois agora tudo o que eu enxergava era uma menina alegre, feliz e sorridente, uma menina a qual qualquer criança que olhasse em seus olhos, perceberia que estava completamente apaixonada..
  Minha mãe estacionou o carro na frente da escola faltando apenas dez minutos para a apresentação começar, desci do carro e entrei na escola, seguindo para o salão. Estava lotado e eu estava com medo de não conseguir pegar um lugar, mas logo que entrei Greg, irmão do Niall, acenou pra mim da primeira fileira e indicou uma cadeira vazia ao seu lado, praticamente corri para lá, e depois de cumprimentá-los, sentei-me e olhei para o grande palco bem a minha frente.
  Minhas mãos começaram a suar e meu coração já estava disparado apenas por pensar nele tão perto de mim..
  Os minutos se passaram rapidamente, e o show se iniciou, porém as horas seguintes passaram devagar, eu ansiava por ver o Niall, mas ele seria o último a se apresentar, aumentando ainda mais a minha ansiedade. Passavam-se das dez horas quando ele entrou no palco, sentando-se em um banquinho à minha frente e ajeitando o violão em suas mãos.. Meu coração perdeu o compasso original nesse momento.. Ele estava tão lindo, vestia uma camiseta social branca, que realçava seus olhos claros, e um jeans de lavagem escura, que caiam perfeitamente nele, combinando também com os tênis pretos.
  Ele olhou para a plateia em geral, e quando seus olhos se encontraram com os meus ele esboçou um sorriso, e falou:
  - Boa noite! - Seus olhos continuavam cravados nos meus. - Err.. Antes de começar a música, gostaria de dedicá-la à uma pessoa muito especial pra mim.. - Ele esboçou o sorriso torto mais perfeito desse mundo e seus dedos ágeis começaram a tocar nas cordas antes imóveis do violão, fazendo uma melodia suave ecoar por todo o grande salão.
  
  Algumas luzes se apagaram e a voz dele começou a ecoar, e eu tive certeza que poderia ficar apenas escutando-o por quanto tempo fosse necessário e mesmo assim, nunca me cansaria.

  How could a heart like yours
(Como pode um coração como o seu)
Ever love a heart like mine?
(Amar um coração como o meu?)
How could I live before?
(Como eu poderia viver antes?)
How could I have been so blind?
(Como eu pude ser tão cego?)
You opened up my eyes
(Você abriu meus olhos)
You opened up my eyes
(Você abriu meus olhos)

  Ele sorria docemente enquanto cantava, e cada parte daquela música parecia entrar em minha veias, era como adrenalina pura correndo pelo meu corpo. Minhas mãos suavam frio, minhas pernas estavam bambas, meus olhos marejados e meu lábio tremia levemente.. De todas as surpresas que ele me fez essa estava sendo a mais bonita, primeiro por ele escrever esta música, o que já havia destruído meu emocional, e depois, pela coragem de se apresentar na frente de todos, cantar literalmente para mim..

  Hold fast hope
(Mantenha a esperança rapidamente)
All your love is all I've ever known
(Todo o seu amor é tudo o que eu já conheci)
Hold fast hope
(Mantenha a esperança rapidamente)
All your love is all I've ever know
(Todo o seu amor é tudo o que eu já conheço)


  As primeiras lágrimas começaram a escorrer, e eu nem mesmo lutei para impedi-las. Ninguém nunca havia feito algo tão lindo por mim, ninguém nunca nem mesmo havia me notado daquela forma.. O destino era tão imprevisível, nunca poderia sequer imaginar que juntaria nós dois, éramos tão diferentes, desde nosso modo de agir até o modo de pensar, a única coisa em comum entre nós era a dor que sentíamos e as marcas que a vida havia deixado.

  How could a heart like yours
(Como pode um coração como o seu)
Ever love a heart like mine?
(Amar um coração como o meu?)
How could I live before?
(Como eu poderia viver antes?)
How could I have been so blind?
(Como eu pude ser tão cego?)

  E por mais incrível que seja, a vida que tanto nos machucou um dia, hoje estava unindo as partes de dois corações partidos, estava juntando-os novamente. E era como se nunca tivéssemos passado por tais dores.. A felicidade estava presente em cada segundo da minha vida, desde que eu acordava sorrindo por ter sonhado com ele, até os nossos mínimos momentos juntos, que eram preciosidades sob a minha visão..

You opened up my eyes
(Você abriu meus olhos)
You opened up my eyes
(Você abriu meus olhos)
You opened up my eyes
(Você abriu meus olhos)
You opened up my eyes
(Você abriu meus olhos)

  Ele cantou o último verso, e suas mãos continuaram nas cordas do violão por mais algum tempo, enquanto ele pigarreava e olhava para a multidão que estava o aplaudindo.
  - Obrigada.. - Ele falou sorrindo de orelha a orelha. - Como eu disse anteriormente, queria dedicar essa música à uma pessoa especial, e espero que ela possa ter gostado. - Seus olhos focalizaram em mim e me esforcei para parar de chorar e enxugar as lágrimas. - Bom, essa pessoa deve desconfiar que eu sou completamente apaixonado por ela..
  Ele continuou olhando para mim e nesse momento meu coração estava a ponto de me levar a ter um ataque cardíaco de tão rapidamente que batia. Ainda estava atônita a tudo aquilo, primeiro a música mais linda que já ouvi, em seguida declarar em público que estava apaixonado.. Ele riu baixinho da minha cara, e em seguida continuou.
  - Queria ter tido coragem de contar isso para ela antes, mas sempre que estou junto à ela, é como se não conseguisse pensar corretamente, é como se algo me prendesse a ela. - Ele sorriu, certamente se lembrando de algum momento nosso. - Sei que ela já foi muito machucada, mas estou aqui para pedir uma chance, quero ser aquele que vai te mostrar o que é amor de verdade.. - Seus olhos estavam cheios de emoção quando ele me olhou novamente. - Quero ser aquele que irá cuidar de seu coração, e que irá te amar até que você aprenda a se amar como eu te amo.. Só preciso do seu "Sim"..
  As lágrimas começaram a rolar pela minha face novamente, e inevitavelmente meus lábios se formaram em um sorriso.
  - Sim.. - Sussurrei baixinho, fazendo-o alargar o sorriso.

Gostaram meninas?
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Fiquei ainda mais feliz, mas espero que continue assim, senão não sei se continuo a postar se vocês mudarem e não darem mais opiniões nos imagines..
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#Mary (@letharrygo_)